Notícia
 
22 de Abril de 2020
 
Smart working: estratégia tem de envolver vertente tecnológica, organizacional e cultural
 
A necessidade de transformação digital nas empresas não é de agora, mas o impacto do surto da COVID-19 tornou-a ainda mais urgente. Liderança, comunicação, colaboração, digitalização e cibersegurança são essenciais para um processo rápido e efetivo, alerta a Capgemini.
 

O momento particular que o mundo está a viver devido à pandemia causada pelo coronavírus SARS-CoV-2 está a ter consequências a todos os níveis, mudando a forma de estar, de estudar e de trabalhar.

A grande maioria das pessoas permanece nas suas casas, em isolamento social, mas em grande atividade, e é com recurso ao computador e à internet que asseguram as suas responsabilidades profissionais, usam os serviços públicos ou fazem compras.

“Tudo isto tem levado a alterações, que também vão levar a mudanças quando um dia voltarmos a uma relativa normalidade”, defendeu Alexandre Fonseca, presidente da ACEPI, na abertura do webinar “Scaling Remote Work: Insights for Today & Tomorrow”, que a Associação Economia Digital organizou juntamente com a Capgemini, para debater as mudanças no teletrabalho e as estratégias que as empresas estão a seguir.

Uma das mudanças prováveis é que os consumidores saiam muito mais digitais desta pandemia. “Muitos portugueses, que se calhar usavam a internet de uma forma básica, vão passar a usá-la de uma forma muito mais sofisticada, recorrendo ao homebanking, fazendo compras online, etc”. Possivelmente, também iremos assistir à substituição do elevado índice de compras cross border, pelas compras “cá dentro”, acrescentou Alexandre Fonseca.

Com todas as mudanças em curso e numa altura em que o teletrabalho está prestes a transformar-se na nova realidade laboral, há dúvidas que persistem. “Será que as empresas estão preparadas? Será que temos as tecnologias, os procedimentos? Será, inclusive que estamos preparados psicologicamente para trabalharmos a partir de casa?”, perguntou o presidente da ACEPI, deixando o mote para o resto do webinar.

Soluções de resposta

Face ao impacto da pandemia na atividade económica, a Capgemini procurou definir um modelo que respondesse, num muito curto prazo, às necessidades dos seus clientes, aproveitando o know-how interno. Desde há um ano que a empresa dava a oportunidade aos seus colaboradores de trabalharem remotamente, algumas vezes por semana.

Atualmente a “escala” é diferente, com o escritório em Portugal a trabalhar a 100 % de forma remota. “Isto permitiu-nos capitalizar todo o conhecimento que tínhamos deste modelo de gestão desconcentrado e aplicá-lo no nosso dia a dia”, referiu Bruno Sousa, Head of Consulting na área de Digital Customer Experience da Capgemini e responsá el . “Esta forma de trabalhar está no nosso ADN e ajuda-nos a apoiar, com bastante sucesso, os nossos clientes a transformarem as suas organizações”, assegurou.

A solução proposta pela Capgemini tem em atenção diferentes vertentes, nomeadamente de preparação, num momento inicial, e de estabilização logo a seguir, com o objetivo final da recuperação das operações, “entendendo o que é o novo normal e tentar projetar o que vai ser o novo futuro”. Também foi pensada para garantir o máximo de segurança necessário, tendo em conta a realidade do teletrabalho. “Os ataques têm surgido em grande volume e as empresas não estavam preparadas para lidarem com esta nova distribuição laboral”.

Há que responder às necessidades mais básicas, mas existem outras questões relevantes do ponto de vista de negócio que passam por aquilo que são os processos operacionais que estão bloqueados e é preciso encontrar soluções no curto prazo que permitam às empresas continuarem a operar. É preciso “continuar a gerir as equipas de forma remota e iniciar os projetos que havia no meu pipeline ou em curso”, aconselha Bruno Sousa.

Além disso, há que garantir que existe um ecossistema perfeitamente distribuído a trabalhar remotamente, com acesso a ferramentas de colaboração e comunicação digitais. As empresas que já vinham a preparar a sua transformação digital saem ganhadoras neste curto prazo, considera Bruno Sousa mas esta é uma realidade que obriga a um salto muito grande para a maioria, sublinha. Além disso, “é necessário que aquelas que ainda não o fizeram o façam de forma efetiva. Isto não é uma questão de ir e voltar, é uma questão de ir para ficar”.

Tecnologia, processos organizacionais e cultura no centro de tudo

Qualquer solução de resposta aos novos desafios colocados a uma organização que agora assenta a sua atividade no trabalho remoto tem de endereçar a vertente tecnológica, organizacional e cultural. Infraestrutura de suporte à força de trabalho remoto, hardware e ferramentas de software, formação e, muito importante, segurança, têm de ser garantidas.

“A solução da Capgemini reúne ferramentas de processo que permitem uma resposta rápida e instantânea e que suportam a organização em termos de colaboração e trabalho remoto, garantindo requisitos de segurança e privacidade” garantiu Fernando Costa, Country Sucurity Officer.

Do ponto de vista organizacional é preciso assegurar mecanismos que garantam a gestão e controlo do trabalho diário e a liderança de equipa e feedback contínuo, mas também não deixar de apostar no lançamento e execução de projetos complexos, dentro do ambiente digital, e de manter o relacionamento e interação com os clientes, salientou José José, Senior Consultant, Digital Customer Experience.

Um outro aspeto que ganha destaque na nova realidade “moldada” ao teletrabalho é a vertente cultural, “que unifica as ‘peças’ da tecnologia e da organização com a componente humana”, referiu Vera Silva. Além disso, há um novo paradigma na componente cultural, “em que as empresas têm de ser proactivas e não reativas no que toca à relação do colaborador e da sua própria capacitação das ferramentas de colaboração”, acrescentou a Senior Consultant da Capgemini na área de Application Managed Services, durante a sua intervenção.

“É neste sentido que hoje destacamos que há uma nova realidade, há a necessidade de maior autonomia e de uma maior responsabilidade e de necessidade, também, de combater o isolamento dos colegas que estão em quarentena e também uma maior necessidade afetiva face a quando estávamos todos de uma forma física. Na altura não era tão importante, mas hoje há essa maior necessidade de sabermos como está o colega”.

A liderança também assume um papel crítico, “acompanhar e liderar sobretudo com inteligência emocional é essencial nas competências de um líder hoje em dia”, sendo necessário trazer isso para o mundo digital”.

Na Capgemini, a abordagem na vertente da cultura tem incidido sobre quatro grandes vetores: combater o isolamento, potenciar o sentimento de pertença, a confiança e impulsionar o compromisso e manter a lealdade.

Neste novo contexto, em particular, as pessoas precisam mais de apoio, porque estão isoladas, não estão a interagir socialmente com os seus amigos, familiares e colegas, defende Bruno Sousa. “É necessária uma nova liderança, com uma vertente de inteligência emocional, e também é preciso manter os colaboradores ligados áquilo que é a cultura da empresa”. Para que continuem a “vestir a camisola”.

 
eCommerce . eFinance . eProcess . eMedia . eBusiness . eHosting . eMobile . eTourism
 
 
© 2020 Acepi - Todos os Direitos Reservados