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Aposta no online veio para ficar e será cada vez mais fator de diferenciação e sobrevivência
Aposta no online veio para ficar e será cada vez mais fator de diferenciação e sobrevivência
7 de Julho de 2020
Se há algum elemento positivo na crise provocada pela COVID-19 é a aceleração da transformação digital. Para a Capgemini, as empresas reagiram num primeiro momento para garantir a continuidade das suas operações. Entretanto estão a reinventar os seus negócios com a ajuda da tecnologia.

O negócio online teve um boom muito grande face às consequências provocadas pela pandemia por razões evidentes: lojas físicas fechadas ou com constrangimentos de acesso, maior insegurança nas compras físicas. Se a um nível global as vendas online têm vindo a crescer entre 10% a 20% todos os anos, nos últimos meses aumentaram em alguns países e sectores mais do que 100% face ao período homologo.

Para avaliar o impacto da crise no comportamento dos consumidores, a Capgemini fez recentemente um estudo, envolvendo mais de 11.000 consumidores globalmente. Os resultados indicam que 59% dos consumidores que antes da crise tinham elevadas interações com lojas físicas, passaram para 24% e a expectativa é que nos próximos seis a nove meses este número não ultrapasse os 39%.

No sentido inverso, 30% dos consumidores inquiridos que faziam elevadas transações online, tendo este número aumentado para 40% na expectativa para os próximos seis a nove meses.

Empresas “apressadas” na transformação digital dos seus negócios

Ao tentarmos encontrar algum aspeto positivo desta crise será a aceleração da transformação digital, considera Miguel Mancellos, Head of DCX practice da Capgemini Portugal. “As empresas reagiram num primeiro momento para assegurar a continuidade das suas operações, o que em muitos casos significou começar por conseguir colocar os seus colaboradores a trabalhar remotamente, fazendo do trabalho remoto uma realidade, hoje, em muito sectores mais relutantes quanto à sua adoção”.

Depois, em muitos casos, começaram a reinventar os seus negócios com recurso à tecnologia, acrescenta. “Estamos a falar de pequenos restaurantes que passaram a permitir encomendas online, ou do sector da saúde que passou a fazer uso da videoconferência como forma de atendimento dos pacientes, ou da utilização do live streaming para a promoção de novos modelos de automóveis como foi amplamente utilizado na China”.

E se havia quem, em sectores mais tradicionais, pensasse que a transformação digital não era uma prioridade, “acredito que depois de terem enfrentado esta dura realidade, entretanto, mudaram de opinião”.

Miguel Mancellos também defende que a aposta veio para ficar e será, cada vez mais, um aspeto de diferenciação, e de sobrevivência. “A utilização mais abrangente dos canais online, do trabalho remoto, são realidades que, tanto as pessoas como as organizações, se habituaram porque são mais cómodos e eficientes”.

As maiores preocupações das empresas nesta fase

Dependendo dos sectores, da forma como estes foram afetados pela crise e quais as perspetivas de evolução no curto prazo, as preocupações das empresas nesta fase são diferentes. Miguel Mancellos aponta que, em alguns sectores, como o turismo, automóvel, entre outros, as preocupações são mais de sobrevivência e focados na redução de custos para conseguirem manter as operações, da forma mais eficiente possível. “Outros sectores mantiveram os investimentos, e até assistimos à aceleração do investimento em soluções de Cloud, Cyber segurança e eCommerce”.

Para além dos aspetos económicos, as empresas estão a adaptar-se a uma nova realidade, ainda incerta e em movimento. “O principal desafio coloca-se ao nível das pessoas: é preciso dar a mesma resposta, com os mesmos (ou menos recursos) num contexto profissional e pessoal, novo. O que na prática coloca bastante mais pressão nas pessoas”.

No que respeita ao eCommerce colocam-se aspetos relacionados com as plataformas existentes, que estão muitas vezes desatualizadas e pensadas para serem apenas um canal alternativo. Como tal não proporcionam uma experiência de compra agradável, não disponibilizam todos os produtos existentes nas lojas físicas; os serviços necessários, como por exemplo opções de Click & Collect, ou mesmo simplesmente a capacidade de responder ao fluxo incremental de tráfego.

“É necessário que haja uma mudança profunda no mapa empresarial português, na forma como as empresas encaram o online, entendendo a sua importância e definindo estratégias eficazes - investimento versus retorno”, aconselha o Head of DCX practice da Capgemini Portugal.

Investimento em contexto de incerteza e adversidade surpreende

De uma forma geral, a significativa capacidade de adaptação e o sentido de responsabilidade pela economia e pelo emprego. Na prática, traduzida na continuação de investimentos em projectos perante um contexto de incerteza e adversidade. “No que respeita à adoção de tecnologia e inovação, Portugal foi sempre um earlier adopter. Curiosamente, e no que respeita ao comércio eletrónico, esta tendência já não se verifica”, nota Miguel Mancellos.

Mas neste momento, é verdade que as empresas portuguesas estão a começar a investir no eCommerce, muito derivado de fatores externos, como a pandemia, e estão a repensar a sua estratégia, em linha com os outros países, embora com orçamentos mais modestos.

“As empresas e marcas portuguesas têm que recuperar o atraso, aproveitando a experiência e evitando os erros dos outros”, sublinha Miguel Mancellos. É crítico que coloquem os seus negócios online; que tornem os seus processos mais digitais, mais eficientes; que repensem os seus modelos de negócios tirando partido da tecnologia, adaptando-os à nova realidade, defende.

“Espero que vejamos o lado da oportunidade, as mudanças que se operaram na nossa sociedade e que nos podem trazer benefícios futuros. Que não vejamos esta realidade como uma fase transitória antes de um regresso à anterior normalidade, mas sim como um passo para nos preparar cada vez melhor para o futuro – um futuro que será, indiscutivelmente, mais digital”.