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Qual a importância do dinheiro vivo para os negócios online?
Qual a importância do dinheiro vivo para os negócios online?
18 de Abril de 2019
Paulo Raimundo Aleixo, responsável para Portugal do Paysafe:group, em entrevista a ACEPI, fala sobre a solução Paysafecash e sobre o futuro dos pagamentos a dinheiro, especialmente em Portugal.

Em 2018, a Paysafe  anunciou o lançamento global de uma nova solução de pagamento alternativa, a dinheiro vivo, para o online – o Paysafecash . Esta opção de pagamento “pioneira e ultra segura” foi projetada para servir um considerável número de consumidores em todo o mundo que ainda preferem pagar com dinheiro vivo.

Dados recentes indicam que, apesar da aceitação entusiástica dos pagamentos eletrónicos, uma percentagem considerável dos compradores na internet está cada vez mais preocupada com o facto de que o compartilhar de dados financeiros online resulta com frequência em fraudes e violações de dados.

Em Portugal, o serviço Paysafecash está agora disponível em quase 10.000 pontos de pagamento localizados nas redes de agentes Pagaqui e Payshop, por todo o continente e ilhas, bem como nas agências dos correios.

Conversámos com Paulo Raimundo Aleixo, country manager para Portugal do Paysafe:group , responsável pelo paysafecard e Paysafecash.

ACEPI: O que é o Paysafecash e como funciona?

Paulo Raimundo Aleixo: O Paysafecash é um método alternativo de pagamento para clientes que desejam pagar online com facilidade e segurança usando dinheiro-vivo. Assim sendo, torna as compras online possíveis para clientes sem cartão de débito ou crédito ou que não desejam usá-los para pagamentos online. Desta forma, trazemos a totalidade dos portugueses para o comércio eletrónico, já que todas as pessoas têm sempre acesso a dinheiro-vivo.

O processo simples para fazer um pagamento com Paysafecash é o seguinte: 

  1. O consumidor seleciona “Pagar a Dinheiro com Paysafecash” como método de pagamento no check-out da loja online onde acabou de efetuar compras; gera-se então um código de barras que ele imprime e/ou envia para o seu telemóvel ou e-mail.
  2. Usando então a função de pesquisa, o consumidor encontra o ponto de pagamento Paysafecash mais próximo ou mais conveniente para ele.
  3. Nesse ponto de pagamento, o consumidor exibe o respetivo código de barras ao empregado, que o lê ou introduz o código numérico manualmente, e paga o respetivo valor a dinheiro …e já está! Muito simples! A loja online é avisada em real-time e processa o pedido imediatamente assim que o pagamento é efetuado.

ACEPI: Acha que em Portugal a falta de pagamentos a dinheiro nos negócios online é apenas um problema de nicho, ou, pelo contrário, é um problema muito mais amplo?

Paulo Raimundo Aleixo: Portugal pode parecer um pequeno mercado à primeira vista, mas há mais de um milhão de Portugueses que ainda pagam todas as suas contas domésticas, carregamentos de telemóveis, impostos, multas e assim por diante nos mesmos pontos de pagamento onde o Paysafecash está disponível. Estes "consumidores a dinheiro" realizaram mais de 52 milhões de transações em 2017, num valor superior a 1,1 mil milhões de euros. Como vê, não se trata de todo de um pequeno nicho, como muitos à primeira vista podem pensar; é um mercado muito valioso, a não desprezar.

O que muitas pessoas não percebem é que, embora Portugal seja um dos países mais bancarizados do mundo, 70% das transações offline no país ainda são feitas a dinheiro, não com cartões (de acordo com o indicador da SIBS). Se isto acontece no offline, também acontecerá no online quando essas pessoas tiverem acesso a uma opção de pagamento a dinheiro. É esta a principal proposta de valor que o Paysafecash oferece aos e-comerciantes que o disponibilizem no seus check-outs digitais.

ACEPI: Quem diria que é o público-alvo do Paysafecash?

Paulo Raimundo Aleixo: A beleza do Paysafecash é que, por ser uma solução a dinheiro-vivo, todos têm acesso a ele. O dinheiro é a única opção de pagamento a que todos, sem exceção, têm acesso. Mas não limitamos o nosso mercado-alvo apenas a pessoas que não têm acesso a contas bancárias, cartões de crédito ou carteiras digitais, já que o uso de dinheiro também oferece segurança superior aos utilizadores atuais de cartões ou contas bancárias. Naturalmente, estamos cientes de que nem todos deixarão de usar cartões de crédito e passarão a pagar a dinheiro a partir de agora, mas o nosso produto atrai também todos aqueles consumidores que valorizam a segurança, acima de tudo, quando fazem compras online.

ACEPI: Como vê o futuro dos pagamentos a dinheiro, especialmente em Portugal? Não acha que isso se tornará irrelevante num futuro próximo?

Paulo Raimundo Aleixo: Pagamentos sem dinheiro e até mesmo sociedades sem dinheiro na Europa são tópicos quentes nos media neste momento… mas, por outro lado, os principais players do mercado “somente online” lançaram recentemente vouchers pré-pagos e outras iniciativas focadas no dinheiro: Amazon ou Uber são apenas dois exemplos disto. O numerário em Portugal, para além de em muitos outros países europeus, especialmente nos maiores e mais ricos, continua a ser o método de pagamento preferido.

Mais de metade das transações de pagamentos em Portugal (on e offline) em 2018 foram feitas em dinheiro, de acordo com a Global Data . Mais importante ainda, atualmente já 13% do volume total de comércio eletrónico B2C é pago com dinheiro , especialmente através de contra-entrega, o que traz imensos problemas e devoluções aos e-comerciantes, que o Paysafecash resolve, uma vez que as encomendas só saem do armazém depois de confirmados os seus pagamentos em real-time. Quer então isto dizer que os consumidores portugueses ainda continuam a preferir genericamente usar dinheiro para efetuar os seus pagamentos online e offline.

Quando pensamos num mundo sem dinheiro, devemos também pensar se isso traria benefícios aos consumidores, bem como às empresas e governos. Como o dinheiro é indiscutivelmente a maneira mais segura de pagar por algo e outros métodos de pagamento não oferecem atualmente o mesmo nível de segurança e anonimato aos clientes, não vemos o fim do dinheiro para breve, ao contrário do que alguns “iluminados” apregoam. De facto, se olharmos para a quantidade de dinheiro em circulação, vemos um forte crescimento ano-após-ano de quase 8% em toda a zona EURO , o que contraria em absoluto essas teorias imaginárias. O que estamos agora a tentar fazer é tornar esta enorme quantidade de dinheiro também acessível aos e-comerciantes do comércio eletrónico em toda a Europa e América do Norte e mais tarde no resto do mundo.

ACEPI: Qual é a vossa estratégia de divulgação? Concentram-se no marketing digital ou em formas mais tradicionais de marketing?

Paulo Raimundo Aleixo: Usamos uma combinação dos dois. Em Portugal, estamos a participar ou a patrocinar alguns dos principais eventos de e-Commerce, nomeadamente com a ACEPI e outras organizações, apresentando o Paysafecash aos e-comerciantes portugueses e mostrando-lhes as vantagens de oferecer pagamentos a dinheiro-vivo nos seus check-outs digitais. Isto proporciona-lhes a capacidade de aumentar rapidamente as vendas e gerar novos negócios incrementais por meio de um público totalmente novo de clientes que pagam exclusivamente a dinheiro.

ACEPI: Qual diria ser o aspeto mais importante da sua estratégia de marketing? Qual a forma de marketing que lhe traz o melhor ROI?

Paulo Raimundo Aleixo: É importante trabalharmos em estreita colaboração com nossos parceiros e o marketing B2C é um fundamental elemento nisso. Estamos a desenvolver várias campanhas conjuntas de marketing em parceria com nossos e-comerciantes, nos seus sites, newsletters e nas redes sociais, alavancando as redes de consumidores existentes de ambos os lados. Estas campanhas destacam os benefícios de usar o Paysafecash e, ao oferecê-lo como uma opção de pagamento, ele atua como uma poderosa ferramenta de marketing para os e-comerciantes em si, abrindo-lhes novos segmentos de público para aumentarem os seus negócios. Sendo apenas um método de pagamento e não um fim em si próprio para os consumidores, o importante para nós é educá-los em como pagar a dinheiro no online e não nos focar na nossa marca, que é apenas um meio para eles atingirem aqueles produtos que pretendiam comprar online e que até agora não conseguiam aceder. Ao mesmo tempo, também estamos a preparar algumas campanhas promocionais nalguns dos quase 10.000 pontos de pagamento dos agentes Payshop e Pagaqui em Portugal, em parceria com estas redes.

ACEPI: Que outro tipo de parcerias espera fazer? Imagino que a parceria com plataformas de e-commerce estará no topo da lista?

Paulo Raimundo Aleixo: Há uma série de áreas onde podemos formar parcerias devido à versatilidade do dinheiro. As plataformas de e-commerce estão definitivamente no topo da nossa lista, juntamente com todos os principais e-comerciantes online, provedores de serviços de pagamentos e outras plataformas de pagamento. No entanto, também estamos muito focados nos pequenos e médios e-comerciantes, para os quais o Paysafecash tem a capacidade de ter um impacto significativo nas suas receitas, gerando vendas adicionais por parte de consumidores que anteriormente eles não conseguiam alcançar.

Também vemos o Paysafecash como uma forma de pagar contas ou faturas recebidas pelo correio. Ao digitalizar o QR-Code Paysafecash nelas impresso, podemos permitir que todos paguem as suas contas a dinheiro. Finalmente, também queremos formar parcerias dentro do setor dos serviços financeiros, com bancos, seguradoras ou prestadores de empréstimos, que desejem expandir a sua rede de coleta de dinheiro, de forma a que os seus clientes possam depositar dinheiro ou reembolsar empréstimos com dinheiro-vivo na nossa rede de mais de 650.000 agentes em 47 países do mundo.