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Digital dá oportunidades únicas aos media mas exige diálogo entre intervenientes. E mais “responsabilidade”
Digital dá oportunidades únicas aos media mas exige diálogo entre intervenientes. E mais “responsabilidade”
11 de Outubro de 2017
A tecnologia traz muitas oportunidades à indústria dos conteúdos, com novas plataformas e opções, e a ajuda de recursos como o big data para dar a saber mais acerca de clientes e audiências, mas os desafios são na mesma proporção, desde o advento das chamadas fake news aos modelos de divisão de receita publicitária.

“Nunca o jornalismo de qualidade foi tão importante para a democracia como agora”. Foi com esta frase que Philippe Colombet, iniciou a sua intervenção no Portugal Digital Summit. O Head of Strategic Partnerships – News and Publishers for Southern Europe da Google falou na sessão sobre “O Futuro do Sector dos Serviços de Comunicações”, defendendo que “este é um momento único para os media”.

Para esse momento contribui todo o conjunto de oportunidades proporcionado pelas ferramentas tecnológicas, desde o mobile ao big data, mas também pelo conjunto de desafios existentes, começando pelo fenómeno das fake news, até à chamada “economia da atenção”.

Criar um mundo mais informado exige que as organizações e as empresas de tecnologia "trabalhem em conjunto”, sublinhou Philippe Colombet, aproveitando para ressalvar que o compromisso da Google com as notícias vem de há mais de 15 anos, referindo-se à missão de informar os internautas, recentemente reforçada com o lançamento da Digital News Iniciative, mas também à relação que mantém com os meios de comunicação, nem sempre fácil de gerir.

Sobre essa segunda vertente rematou com um “esperamos ser hoje um melhor parceiro do que no início”, garantindo que questões sempre polémicas como a partilha de receitas publicitárias podem ser resolvidas através do diálogo entre as partes.

João Epifânio, Board Member da Altice Portugal, sublinhou que, além das telecomunicações, a dona da PT está hoje dedicada à área dos media e da publicidade. “Estas três áreas são fundamentais para o negócio e vão continuar a merecer o investimento do grupo”, referiu durante a sua intervenção.

O responsável não deixou de ressalvar o trabalho que a operadora conseguiu em Portugal na área das Telco. “Temos a maior rede de fibra [ótica] do país e iremos fibrar 5,3 milhões de casas, ou seja, todas as casas do país até 2020. É um feito extraordinário para uma empresa que tem tido o mérito de capturar o investimento necessário para o desenvolvimento não só de si própria e do seu sector, mas da economia portuguesa no geral.

João Epifânio acrescentou que a empresa tem sido um fortíssimo agente de mercado, mesmo em alturas de retracção “e é isso que nos permite ter hoje 66% do país com fibra ótica e estar no forefront da taxa de penetração da tecnologia a nível europeu e mesmo mundial”.

O board member da Altice Portugal destacou ainda que os hábitos dos consumidores estão realmente a mudar e o mobile, as redes sociais, o multi device, o retalho digital e a personalização são fenómenos dos dias que correm em que “o conteúdo é rei”.

João Epifânio defendeu também que o movimento do “ilimitado e grátis” não é possível de contornar. “Por muito que o queiramos contrariar, é impossível ´parar o vento com as mãos´”, citou. “Então “temos de abraçar o movimento”.

A digitalização trouxe também uma alteração de paradigma para marcas e consumidores. “Ontem o objetivo era o convencer o consumidor de que necessita de algo. Hoje o objectivo é oferecer ao consumidor aquilo que ele necessita”.

Para João Galveias, como o futuro “é matéria para os visionários”, as empresas de media “têm de se contentar em ter apenas uma certeza: a de que vão ser surpreendidas”. E de forma muito rápida. “Temos de estar atentos e ver os sinais à nossa volta”.

O diretor de Serviços Digitais e Multimédia da RTP aproveitou para lembrar que a Google, Amazon, Facebook, Apple ou Microsoft não são companhias de media, “mas na área digital competem directamente com todas as companhias de media. E são incontornáveis”.

Para um negócio com as características da Global Media, “um old media”, a transformação digital tem sido um desafio extraordinário, mas também uma enorme oportunidade, referiu José Carlos Lourenço. “Temos conseguido chegar a maiores audiências. Através das plataformas digitais chegamos hoje a um número incomparável de pessoas. O grau de influência é muito maior”, considera.

Sobre a intervenção inicial de Philippe Colombet, da Google, o membro do conselho de administração da Global Media sublinhou ainda a diferença “muito significativa” entre fazer uma notícia e produzir um conteúdo, rematando com a visão optimista de que espera que o novo mundo dos media seja um mundo melhor”.