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Legislação é importante para o comércio online mas em excesso pode ser restritiva
Legislação é importante para o comércio online mas em excesso pode ser restritiva
19 de Maio de 2017
O alerta é feito pelo responsável para Portugal e Espanha da La Redoute, que considera que os consumidores já reconhecem a importância do ecommerce e confiam cada vez mais nos meios eletrónicos para fazerem a suas compras.

O mercado digital está a crescer e os consumidores têm cada vez menos receios de comprar online, na opinião de Paulo Pinto. O responsável para Portugal e Espanha da La Redoute considera que são vários os fatores que contribuem para que essa evolução esteja a acontecer, nomeadamente a introdução dos selos de credibilidade.

“Tudo o que é ‘impessoal’ tem barreiras, mas um selo como o Confio ajuda a ‘validar’ uma loja online”, sublinhou referindo-se à iniciativa lançada pela Associação da Economia Digital em parceria com duas outras entidades de referência em Portugal, a DECO e a DNS.pt.

“As pessoas estão conscientes de que as fraudes podem acontecer em diversas áreas e também estão mais atentas a onde compram, às empresas idóneas, às lojas que zelam pelos interesses e pela satisfação dos seus clientes” e os selos de confiança acabam por mostrar quem são essas empresas, considera Paulo Pinto.

Procurar a satisfação do consumidor através da legislação também é positivo, “todavia sabemos que a Comissão Europeia quer legislar tudo e por vezes demasiado. Tornou-se tentacular e vai a tantos pormenores que em vez de ser produtiva é contra produtiva”.

Para o responsável, a legislação tem de ser simples. “Legislar por legislar só traz complexidade. Sou a favor de medidas transversais, mas que não intervenham demasiado. É preciso deixar alguma liberdade”, defende.

Paulo Pinto salienta que o consumidor consegue tomar decisões por si próprio, “perante o que está bem e o que está mal” e, muitas as vezes, “ao querermos legislar tudo estamos a limitar o poder do consumidor”.

Negócio em Portugal à espera de nova subida

E à medida que os números do comércio eletrónico evoluem em Portugal, a La Redoute aproveita para capitalizar o momento e tem conquistado mais clientes. “O nosso ficheiro ativo tem vindo a crescer e estamos muito satisfeitos”.

O número de encomendas também tem subido. “No ano passado tivemos um belíssimo crescimento e este ano esperamos nova subida. Estamos a crescer a muito mais do que o país”, indica Paulo Pinto. “Portugal tem tido uma performance muito interessante, mesmo dentro do grupo”, garante.

O negócio via internet cresce tanto a partir do computador como dos dispositivos móveis, e com destaque para a app, lançada há cerca de um ano. Se há uns meses a utilização era residual, neste momento já pesa 26/27% naquilo da atividade mobile, “com tendência para crescer”.

Relativamente à aplicação, Paulo Pinto destaca ainda as taxas de conversão, “muito superiores” face às outras vertentes. “Foi uma boa aposta [a aplicação] e uma aposta para ser consolidada”, assegura.

E se as apps ajudam a aumentar as compras online, as evoluções na área da logística também têm dado o seu contributo, respondendo cada vez melhor às necessidades e exigências dos clientes. “A distribuição melhorou muito em todo o mundo. Tornou-se mais eficiente com o tracking, com sistemas de marcação e serviços de informação ao cliente”.

No conjunto de fatores que contribuem para incentivar o comércio eletrónico em Portugal Paulo Pinto destaca um outros aspecto, mas pela negativa, relacionado com a possibilidade de pagamento faseado, sem recorrer aos “demasiado complexos” contratos de crédito. “Há noutros mercados processos de facilidades de pagamento muito menos burocráticos, mas a nossa legislação não o permite, acusa. “O Banco de Portugal é totalmente antiquado nessa vertente, mas vai ser necessário evoluir senão Portugal fica na cauda da Europa”.