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Opinião
Comércio eletrónico: uma oportunidade ímpar de crescimento e de internacionalização para as empresas portuguesas
Comércio eletrónico: uma oportunidade ímpar de crescimento e de internacionalização para as empresas portuguesas
31 de Janeiro de 2017
Agora que estamos a entrar na 4ª década digital, parece evidente que a explosão da utilização da internet (nomeadamente através dos smartphones) e das redes sociais à escala global, tiveram como resultado um crescimento exponencial do comércio eletrónico em todo o mundo.

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Os mais diversos modelos são hoje usados pelas empresas para vender a outras empresas (B2B), aos consumidores (B2C), e até ao Estado (B2G). Empresas globais como a eBay e a Amazon têm liderado o mercado global digital mas noutras partes do Mundo outros modelos e outras empresa têm-se destacado. Na China - o maior mercado mundial de comércio electrónico e que valerá este ano mais de 950 Mil milhões de dólares – um dos modelos de negócio digital mais comuns é O2O (Online to Offline). É também chinesa a maior empresa de comércio eletrónico do mundo (a Alibaba) cujas receitas das vendas e os lucros líquidos já são superiores aos da Amazon e do eBay juntos. 

Neste contexto, podemos dizer que as maiores disrupções nos modelos de negócio tradicionais provocadas pela digitalização se centram sobretudo na experiência de cliente, já que as novas tecnologias digitais impulsionaram mudanças significativas na forma como os consumidores comunicam entre si, efetuam as suas transações comerciais e interagem com as marcas e as empresas.

O perfil do consumidor mudou igualmente de forma acentuada, e os seus níveis de exigência e as suas expectativas em relação à qualidade, à rapidez da resposta das marcas e dos serviços das empresas, bem como à capacidade destas resolverem eventuais incidentes que possam ocorrer no decurso da sua experiência aumentou de forma exponencial, colocando novos desafios aos serviços prestados pelas empresas.

Nos nossos dias, os clientes são extremamente exigentes e têm expectativas muito abrangentes, já que ainda que sendo em grande parte utilizadores sofisticados da internet esperam que a sua experiência seja cada vez mais integrada, coerente e consistente em todos os canais ao longo do ciclo de vida de cada compra. Pelo que abordagem das empresas aos novos modelos de negócio terá necessariamente que contemplar além do online, as redes sociais, o móvel, e as lojas físicas (cuja tendência é para se tornarem cada vez mais em showrooms).

Quem compra quer poder comprar em todos os canais, da mesma forma, os mesmos produtos e ter ao seu dispor o mesmo tipo de serviços de atendimento, de pagamento e de entrega. Os novos modelos são dominados pela capacidade dos retalhistas oferecerem experiências cada vez mais personalizadas, altamente consistentes e coerentes em todos os seus canais aos seus públicos alvo, de modo a conseguirem aumentar os níveis de lealdade dos seus clientes e captarem mais receitas.

Num ambiente de transformação acelerada da Economia Digital - quer a nível mundial (onde metade do mundo já acede à internet), quer em Portugal (onde mais de 2/3 já da população já é digital), a par dos desafios que se colocam às empresas e às marcas imersas num ambiente de grande volatilidade no que diz respeito ao conceito de fidelização, existe um enorme potencial de mercado a explorar e a aproveitar pelas empresas que forem capazes de ter a visão necessária para desenvolver uma estratégia digital que as capacite com as ferramentas e os recursos necessários para serem altamente inovadoras e atuarem à escala mundial, com o intuito de serem e de se manterem relevantes.

Importa compreender que o potencial de mudança é enorme, e que as ferramentas disponibilizadas, por exemplo através da cloud, para as empresas se transformarem e acelerarem a digitalização dos seus negócios, aumentando o seu nível de competitividade e potenciando a sua internacionalização, são hoje facilmente acessíveis. Qualquer empresa, independentemente da sua dimensão e setor de atividade, pode ter acesso a elas sem para tal necessitar de grandes investimentos à cabeça. Estas conclusões são corroboradas pelos dados da mais recente edição do Estudo, realizado pela ACEPI em parceria com a consultora internacional IDC, sobre a Economia Digital em Portugal, e segundo o qual em 2010 metade da população portuguesa já utilizava a Internet. No espaço de apenas cinco anos este número aumentou 20% (70% dos portugueses em 2015), esperando-se que até 2025 este rácio seja superior a 90%.

De ano para ano temos vindo a assistir a um crescimento sustentado do comércio eletrónico no nosso país com 30% dos portugueses a fazerem compras online em 2015 e a gastarem quase 4 mil milhões de euros em compras online, esperando-se que 60% dos portugueses venha a realizar compras online, e que o comércio eletrónico em Portugal venha a valer cerca de 9 mil milhões de euros em 2025. No entanto, vale a pena salientar que cerca de 45% das compras online feitas pelos portugueses se realizaram em sites estrangeiros, com o eBay, a Amazon, o Booking e a AliExpress a liderarem. Por outro lado, hoje apenas 18% das empresas portuguesas faz comércio eletrónico.

Tal indicia uma enorme oportunidade por explorar para as empresas portugueses quer no mercado interno, quer também no mercado mundial. Sobretudo se tivermos em conta que em 2016 se estima mais de 1,4 mil milhões de pessoas farão compras online e que estas deverão valer cerca de 3 triliões de dólares. Este valor já corresponde a cerca de 10% do valor total do retalho mundial.

Em Portugal, em 2016 o comércio eletrónico deverá ultrapassar os 4 mil milhões de euros (representando 5% do valor total do retalho) e deverá alcançar os 6 mil milhões de euros em 2020. Se as empresas portuguesas querem ser competitivas no futuro terão necessariamente que ter uma presença online forte e dinâmica, focada na captação de audiência online em Portugal, mas também e sobretudo nos milhares de milhões de utilizadores da Internet em todo o mundo.

O crescente interesse nas plataformas digitais, aliado à retoma da economia e à tendência de animação do consumo que tem sido sentida nos últimos meses, cria as condições ideais para um novo impulso na Economia Digital, e esta é uma oportunidade que as empresas não podem desperdiçar, conquistando novos clientes e abrindo novos mercados no contexto mundial.

A ACEPI tem dado passos relevante no apoio às empresas portuguesas que se querem internacionalizar e um desses exemplos é a recente assinatura recente de protocolos de entendimento entre Portugal e a China, visando aproximar os dois países e diminuir as barreiras às trocas comerciais. Esta é uma excelente oportunidade para as empresas portuguesas endereçarem mais facilmente um mercado de proporções incomparáveis. O sucesso dependerá de saberem usar estas possibilidades em seu proveito, alterando de forma decisiva o equilíbrio da balança comercial digital a favor de Portugal e, sobretudo, terão que compreender que a tecnologia não significa o fim do retalho tradicional, mas antes uma nova forma dos comerciantes se poderem diferenciar, evoluir e aproveitarem novas oportunidades de negócio num contexto de competitividade galopante à escala global.

Portugal teve um papel único de liderança no movimento de globalização de há cinco séculos atrás. Hoje, como então, cabe aos empresários apostar na inovação, nas competências das suas equipas, no desenvolvimento de uma cultura empresarial verdadeiramente internacional e vocacionada para responder aos desafios emergentes do risco e da mudança. Se o fizermos, e temos todas as condições para o fazer, seremos um país mais inovador, mais competitivo, mais capaz de gerar emprego, de revitalizar por completo a sua economia e de a levar para um novo contexto de crescimento sustentado e de prosperidade.

(*) Alexandre Nilo Fonseca, presidente da Direção da ACEPI